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Histórias de quatro moradoras do DF são exemplos de desafios superados e incentivo à luta por igualdade

Publicada em 08/03/18 as 07:38h por PORTAL RADIO SAT BRASIL DE NOTICIAS - 51 visualizações


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fonte: jornal de brasilia  (Foto: PORTAL RADIO SAT BRASIL DE NOTICIAS)

Elas representam a maioria na capital federal: 52% dos brasilienses são do sexo feminino. Neste Dia Internacional da Mulher, o JBr. homenageia àquelas que, mesmo desconhecidas, deixam suas marcas por onde passam. Cidadãs que são exemplos de superação de preconceitos, que ajudam no combate ao assédio e à violência doméstica, e são modelos de sucesso profissional e pessoal.

De acordo com a Companhia de Planejamento (Codeplan), o Distrito Federal abriga 1,5 milhão de mulheres. Elas apresentam maior tempo de estudo, sendo 37,5% com ensino superior completo, enquanto 32,1% dos homens ocupados têm esse nível de escolaridade. Apesar dos dados positivos da Pesquisa de Emprego e Desemprego no DF (PED), elas ainda enfrentam dificuldades na Academia. Como é o caso da doutora em ecologia Ludmilla Aguiar, 58 anos.

"No meu universo o que mais vejo são mulheres pesquisando. Só que sofremos até para conseguir bolsas de pesquisa. Em um primeiro nível de seleção, a proporção para homens e mulheres é igual. À medida que vai aumentando o nível, vai caindo o número de mulheres", critica.

Mulheres pesquisadoras enfrentam preconceitos diariamente, conforme o relato de Ludmilla. "Meu esposo também é professor, então tenho um parâmetro para comparar. Para ter o mesmo respeito eu preciso me impor mais. Além de ouvir brincadeiras, falarem com você em tons desnecessários, até colegas não te respeitam", desabafa.

Natural de Belo Horizonte (MG), a bióloga veio ao DF cursar doutorado na Universidade de Brasília, e foi para a capital que ela trouxe um prêmio norte-americano de referência em estudos sobre morcegos. Ela se tornou a primeira mulher da América Latina - e a terceira no mundo - a ser laureada pelo projeto. "Acredito que foi pelo esforço que fiz, ao longo da minha vida profissional, para que esses bichos entrassem para a lista de espécies ameaçadas", avalia.

Para as alunas e futuras pesquisadoras, ela deseja uma caminhada que não seja mais machista. "No meu tempo de estudante a gente não discutia violência de gênero. Hoje, com as redes sociais, as meninas falam sobre abusos, debatem. Estamos caminhando para mudanças", compara.

Mãe solo

A cabeleireira Diva Lucas Marques, 77 anos, representa as mulheres que criaram os filhos sozinha. Mineira, ela chegou a Brasília na década de 1970, em busca de melhores condições aos filhos. "Precisava de dinheiro. Na roça era muito bom, mas não ia conseguir dar os estudos para os meninos. Lá o trabalho era manual, tinha que torrar café, limpar arroz. Fui a Uberaba (MG) aprender a cortar cabelo e vim tentar a vida aqui", lembra.

Na capital, Diva começou a exercer a profissão em Taguatinga, e depois conseguiu um emprego no Plano Piloto. "Todo sustento veio de salão. Não consegui formar todos, mas hoje temos uma vida boa", destaca. Hoje, a cabeleireira tem um salão na 316 Norte, onde faz questão de ir todos os dias, para ela mesma atender os clientes. "Trabalho o dia todo. Faço de tudo: corte, progressiva… Eu amo minha profissão", comemora. Com os serviços, chegou a cortar cabelo de celebridades de Brasília, como o piloto Nelson Piquet.

Mesmo trabalhando para sustentar as crianças, Diva ainda conseguiu dar uma forcinha para outros mineiros que vieram tentar a vida na capital. "Veio muita gente. Eu ajudava a alugar casa, a colocar menino na escola. Ajudei muitas pessoas porque elas não conheciam a cidade, não sabiam onde procurar", relembra.

Mais jovem, ela chegou a ser violentada pelo marido, que já é falecido. Mas prefere não se lembrar desta parte dolorosa da vida. "Deixa para lá", resume. "Quem criou meus filhos fui eu. Nunca precisei de homem para me sustentar", completa.

Há 47 anos em Brasília, Diva garante que faria tudo de novo. "Para viver não precisa de tanta coisa. Consegui construir minha casa, minha família. Tenho cinco filhos, 12 netos e seis bisnetos. Olho para trás com orgulho, queria que voltasse tudo só para viver de novo", finaliza.

Conquistas diferentes, mas com a mesma vontade de vencer

Ninguém a conhece como Maria da Conceição Ferreira. A mulher de 52 anos que caminha pelas ruas da Chácara Santa Luzia, na Estrutural, enquanto ganha abraços de crianças e olhares carregados apreço dos adultos, ganhou um nome da comunidade: Tia Tatá.

Ao descobrir um câncer no colo do útero, há mais de dez anos, Tia Tatá fez uma promessa: se melhorasse, dedicaria todos os seus dias às crianças. "Demorou muito até que a oportunidade viesse. Foi há três anos e 10 meses. Comecei pegando menino de vizinho, um aqui, outro ali, sem cobrar nada", lembra. A notícia se espalhou e, hoje, ela atende 75 crianças. Os recursos vêm de doações. "Nunca cobrei e nem hei de cobrar", resume.

A casa e a vida de Maria da Conceição se resumiram em uma só missão: ajudar o próximo. "Aqui eles recebem quatro refeições, saem todos de banho tomado. Tem professora para dar aula", explica.

O amparo se estende aos moradores também. "De segunda a segunda batem na minha porta pedindo ajuda. Não tenho para todo mundo, mas divido o pouquinho com quem precisa. É fralda, é leite, o que eu tiver eu dou. Deus nunca deixou ninguém sair daqui sem ajuda", conta.

Mãe biológica de três e avó de cinco, ela garante que a creche é igual coração de mãe. "Sempre cabe mais um. A gente se aperta e ajuda mais". A alegria, ao final do dia, é receber um até logo das crianças. "Quando eu sei que saíram com a barriga cheia, arrumados, eu coloco o joelho no chão e agradeço por mais um dia. Minha vida é essa", conclui. Para ajudar a Tia Tatá, o telefone é (61) 99648-3772.

Degrau por degrau

Regineide Oliveira, 35 anos, está há 18 anos em uma mesma empresa. Ela começou a trabalhar como atendente do McDonald's para ter o próprio dinheiro e, hoje, é gerente de negócios da multinacional. Ao longo dos anos realizou sonhos, como ter a própria casa, o carro, fazer faculdade e, claro, se sentir realizada profissionalmente.

"Na época, estava no segundo ano do Ensino Médio. Saía à noite do serviço e tinha que estar cedo no colégio. Assim que entrei na empresa, percebi que tinha um plano de carreira e resolvi me dedicar", conta. Durante os anos, ela trocou de função pelo menos cinco vezes.

A participação feminina no mercado de trabalho aumentou timidamente entre 2016 e 2017, conforme a Pesquisa de Emprego e Desemprego no DF (PED). O índice delas passou de 59,1% para 59,9%. Entre as chefes de família, o número subiu de 56,7% para 59,4%.

Regineide acredita que foi uma exceção em um mundo que homens dominam cargos de chefia. "Via muitos deles nas reuniões e quis mudar isso. Acho que fui uma das primeiras mulheres a estar à frente de uma loja do McDonald's", conjectura. Ela não considera que as mulheres ofereçam algum diferencial no serviço. "O que eu faço não é diferente, é o que tem de ser feito. Por ser mulher, eles acham que temos fragilidades, mas quis mostrar que não era assim. Sempre quis fazer um pouco mais, para mostrar que eu também podia estar ali", afirma.

A gerente optou por não ter filhos. Para ela, sinônimo de felicidade é ter sucesso na profissão. "Tudo que construí foi com o que trabalhei. Tem que ter foco e ir atrás. E eu fui atrás dos meus sonhos: quis crescer na empresa e fazer faculdade, escutei que mulheres não podiam estar ali, mas eu tentei e consegui. Eu optei pela área profissional. Deixei de lado o sonho do filho porque demanda tempo, e hoje sou completamente realizada".

Opinião

Marina Cardozo
Editora de Cidades

Empoderamento. Você não vai encontrar essa palavra no dicionário. Ao menos por enquanto. Apesar disso, arrisco-me a dizer que certamente você a ouviu sendo pronunciada por aí várias vezes nos últimos tempos. E de tanto falarem, há quem avalie que já virou clichê, lugar-comum. Podem ainda torcer o nariz pelo "assassinato" da pobre Língua Portuguesa - idioma que, como a sociedade, lentamente se transforma. Incluído ou não entre os verbetes listados no Aurélio, "empoderamento" carrega um significado diferente para cada mulher. Aquela que toma as rédeas da própria vida, que supera tabus e estigmas, que dribla cada adversidade: o preconceito transmitido na própria família, as piadinhas às quais é submetida na rua desde que "vira mocinha", quando seu trabalho é posto em xeque cotidianamente pelo simples fato de ser mulher. Não é um caminho fácil. Nem na visão mais otimista eu diria que será melhor em breve. Mas enquanto continuarmos lendo, ouvindo e repetindo de forma sensata palavras como empoderamento, sororidade e feminismo, estaremos no rumo certo. Feliz dia, mulheres.










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