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Quatro meses antes de ser morto fuzilado no Aeroporto de Guarulhos, o corretor de imóveis Antônio Vinícius Gritzbach, acusado de lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), detalhou a promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), uma suposta tentativa de extorsão praticada por agentes públicos.
Na reunião registrada em vídeo, obtida com exclusividade pelo Metrópoles, ele apresenta documentos, áudios e relatos para embasar as denúncias. Veja abaixo:
A audiência, do dia 16 de julho de 2024, ocorreu no contexto da colaboração premiada firmada pelo corretor e homologada pela Justiça em abril daquele ano. Gritzbach foi morto meses depois, em novembro, ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, diante de dezenas de testemunhas.
A apuração do Gaeco se concentrava em um anexo da delação sobre corrupção policial. Logo no início do depoimento, os promotores perguntam se Gritzbach havia recebido pedido de propina de alguém ligado à investigação do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) sobre as mortes de Anselmo Becheli Santa Fausta, o Cara Preta, e de Antônio Corona Neto, o Sem Sangue, ambos do PCC.
A resposta do corretor mirou diretamente nos nomes do delegado Fábio Baena, então no DHPP, e Eduardo Monteiro, chefe dos investigadores da equipe.
Gritzbach contou que, durante o cumprimento de sua prisão temporária, em fevereiro de 2022, foi levado à sala do delegado. Segundo ele, foi nesse momento que lhe indicaram o advogado Ivelson Saloto. “O advogado foi indicado pelo próprio delegado”, afirmou. “Ivelson Saloto foi indicado pelo delegado Fábio Baena.”
Dias depois, segundo Gritzbach, veio o pedido milionário. “Ele [Ivelson Saloto] falou que o Eduardo e o Baena pediram uma quantia de R$ 30, R$ 40 milhões”, disse o corretor aos promotores. A justificativa seria a suposta existência de um pendrive com as chaves de acesso aos valores em criptomoedas.
Gritzbach negou ter o dispositivo e o dinheiro. “Eu disse que eu não tinha esse pendrive e não possuía esse valor”. Baena e Monteiro foram presos em 17 de dezembro de 2024 (leia mais abaixo).
O relato ao Gaeco não ficou restrito à suposta propina. Gritzbach afirmou que, no curso da investigação do DHPP, policiais ficaram com patrimônio dele. Questionado se a Polícia Civil havia retido algum bem, respondeu “um sítio e alguns relógios”.
O sítio, de acordo com o corretor, ficava em Biritiba Mirim, na Grande São Paulo, e havia sido comprado por cerca de R$ 1,5 milhão. Embora estivesse formalmente em nome do dentista das celebridades Roberto Vioto, Gritzbach disse aos promotores que o imóvel era dele e que tinha contrato, comprovantes e escritura para demonstrar a transação.
“Porque o sítio era meu, né, doutor?”, disse, ao explicar por que via o episódio como uma extorsão contra ele, e não apenas contra o titular formal da propriedade.